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Dra Bianca Seixas Soares

Saúde Mental na Infância: Quando o Comportamento do Seu Filho Pede Atenção

Você já ouviu frases como “é só frescura” ou “é manha” para explicar o choro ou a irritabilidade de uma criança? Embora sejam tentadoras, essas explicações muitas vezes escondem algo mais profundo: a saúde mental dos pequenos.

Nem toda dor de barriga é verme. Nem toda irritabilidade é “malcriação”. Crianças também sentem ansiedade, tristeza profunda e medo — e, acima de tudo, precisam ser ouvidas. Mas como distinguir uma fase passageira de um sinal de alerta?

Neste artigo, vou explorar os principais indicadores de que algo não vai bem na saúde mental infantil, o impacto das telas e como a família pode agir antes que o sofrimento se torne silencioso demais.

Números que Chamam a Atenção

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostram que estamos diante de um desafio urgente:

– 1 em cada 5 crianças tem um transtorno mental diagnosticável.
– 50% dos transtornos mentais** começam **antes dos 14 anos.
– O suicídio é a 3ª principal causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos.
– Apesar disso, apenas 20% recebem o tratamento adequado.

Esses números reforçam por que é tão importante falar sobre o assunto desde cedo.

O Que Observar dos 7 aos 17 Anos

Em crianças e adolescentes mais velhos, os sinais podem se manifestar de forma mais complexa. Vale a pena observar:

– Queda brusca no rendimento escolar, sem causa aparente
– Irritabilidade constante, com explosões de raiva desproporcionais
– Alterações no sono (insônia ou dormir excessivamente)
– Mudanças no apetite (comer muito ou deixar de comer)
– Queixas físicas frequentes — principalmente dor de barriga e dor de cabeça
– Isolamento do grupo social (afastamento de amigos e familiares)
– Automutilação ou ideação de morte (situação de URGÊNCIA)

O Impacto das Telas na Saúde Mental

A tecnologia faz parte da vida das crianças, mas o uso excessivo tem se mostrado um fator de risco importante:

– Uso prolongado: mais de 2 horas por dia está associado a maior risco de ansiedade e depressão.
– Conteúdos irreais: redes sociais alimentam comparação e baixa autoestima.
– Cyberbullying: atinge 1 em cada 3 adolescentes.
– Prejuízo ao sono: a luz azul das telas atrapalha a produção de melatonina, essencial para o descanso.

Como a Família Pode Ajudar na Prática

A boa notícia é que pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença:

✅ Escuta ativa: pergunte “como você está se sentindo?” e espere pela resposta de verdade, sem pressa.
✅ Valide sentimentos: em vez de dizer “não é nada”, acolha com “entendo que você está triste”.
✅ Tempo de qualidade:15 minutos por dia, sem telas, só vocês dois.
✅ Rotina consistente: horários regulares para sono, alimentação e atividades trazem segurança emocional.
✅Seja exemplo: as crianças aprendem a lidar com emoções observando os adultos.

Quando Buscar Ajuda Profissional?

Nem todo desconforto emocional exige intervenção imediata, mas é fundamental buscar apoio quando:

– Os sinais persistem por mais de duas semanas.
– Há prejuízo claro na escola, em casa ou nas relações sociais
– Surgem pensamentos de morte ou automutilação — nesse caso, procure ajuda com urgência.
– Você, como pai ou mãe, sente que algo não vai bem. Confie na sua intuição parental.

Conclusão

Cuidar da saúde mental na infância não é exagero. É prevenção. Muitas vezes, o que seu filho não consegue dizer com palavras, ele mostra por meio do corpo, do comportamento e do silêncio.

Quanto antes os sinais forem reconhecidos, maiores as chances de oferecer o suporte necessário para que ele cresça com mais equilíbrio, autoestima e bem-estar.

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